Com as eleições se aproximando, partidos políticos que enfrentam dificuldades para atingir a cláusula de barreira estão intensificando negociações para fusões estratégicas. Segundo levantamento do O Globo, cerca de 11 legendas com representação na Câmara dos Deputados estão próximas da linha de corte estabelecida pela legislação eleitoral. Caso não consigam atingir o mínimo necessário, essas siglas correm o risco de se tornarem partidos nanicos, com baixa representatividade (menos de 13 deputados) e perda de benefícios como tempo de TV e acesso ao fundo partidário – recursos essenciais para campanhas políticas.
Entre as negociações mais avançadas, o PSDB pode se unir ao Podemos e ao Solidariedade. Já no cenário das federações partidárias, o Cidadania anunciou sua saída do grupo formado com o PSDB, enquanto o Rede Sustentabilidade avalia romper com o PSOL. O PV, por sua vez, estuda deixar a federação “Brasil da Esperança”, que inclui PT e PCdoB.
A federação permite que os partidos mantenham autonomia interna, mas, em troca de somar votos para superar a cláusula de barreira, precisam adotar uma posição unificada nas eleições e no Congresso. A aliança dura quatro anos e só pode ser desfeita ao final desse período.
Os partidos que se encontram no limite da cláusula ou já abaixo dela incluem PSB, PDT, Podemos, PSDB, Avante, PRD 25, Solidariedade, Cidadania, Novo e PSOL, cujas bancadas variam entre 5 e 17 deputados. Enquanto isso, as legendas mais consolidadas contam com mais de 40 parlamentares cada, garantindo posição confortável diante das regras eleitorais.
Desde a aplicação da cláusula de barreira, várias siglas desapareceram por meio de fusões. Em 2019, o PHS foi incorporado ao Podemos, e o PPL, ao PCdoB. Em 2023, o PSC se fundiu com o Podemos, e o PROS foi absorvido pelo Solidariedade. Já o PTB e o Patriota uniram forças para formar o PRD.
Outro movimento significativo ocorreu em 2022, quando DEM e PSL – apesar de não serem partidos pequenos, mas já em processo de enfraquecimento – se fundiram para criar o União Brasil. A estratégia garantiu à legenda influência no Congresso e maior presença regional, servindo de modelo para outras siglas que agora tentam sobreviver às novas regras do jogo político.
