As eleições de 2026 devem provocar uma das maiores renovações nos governos estaduais dos últimos anos. Dos 27 governadores em exercício no país, 18 não poderão disputar a reeleição, uma vez que a legislação brasileira proíbe três mandatos consecutivos no Executivo.
Com oito anos no cargo, esses governadores terão de definir novos caminhos políticos e, ao mesmo tempo, atuar para a escolha de sucessores. Até o momento, quatro já manifestaram intenção de disputar a Presidência da República, enquanto ao menos seis planejam concorrer a vagas no Senado Federal, que renovará 54 das 81 cadeiras nas eleições deste ano. Oficialmente, porém, ainda não há candidaturas registradas.
Pelo calendário eleitoral, os partidos deverão confirmar seus candidatos durante as convenções, entre julho e agosto, com registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto. A campanha tem início após essa etapa.
Governadores que pretendem concorrer a outros cargos — como presidente, senador ou deputado — precisam renunciar ao mandato até abril, seis meses antes da eleição. A exigência legal, conhecida como desincompatibilização, busca impedir o uso da estrutura administrativa em benefício eleitoral. Nesses casos, o vice-governador assume o cargo e pode disputar a eleição.
O Rio de Janeiro apresenta uma situação atípica. O governador Cláudio Castro, impedido de tentar a reeleição, sinaliza interesse em concorrer ao Senado. No entanto, o estado está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha deixou o cargo, em 2025, para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado. Caso Castro renuncie em abril, a Assembleia Legislativa deverá realizar uma eleição indireta para escolher um governador-tampão até o fim do mandato, que poderá disputar o cargo em outubro.

Atualmente, o cenário entre os governadores é o seguinte:
9 poderão tentar a reeleição;
4 são pré-candidatos à Presidência da República;
ao menos 6 pretendem disputar o Senado;
5 ainda não definiram o futuro político;
3 afirmam que não devem concorrer a cargos eletivos e devem permanecer no mandato até o fim.
O governador é o principal chefe do Executivo estadual, responsável por definir investimentos, executar o orçamento, administrar secretarias e implementar políticas públicas. Em áreas como segurança pública, a atuação dos estados tem peso maior em relação ao governo federal e aos municípios.
O que diz a lei sobre reeleição
A legislação eleitoral brasileira permite apenas uma reeleição consecutiva para cargos do Executivo — prefeitos, governadores e presidente da República. Após dois mandatos seguidos, o político pode voltar a disputar o mesmo cargo somente após um intervalo de quatro anos.
Um exemplo é o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eleito em 2002 e reeleito em 2006, apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, vencedora das eleições de 2010 e 2014. Em 2018, Lula tentou retornar à disputa, mas estava inelegível. Após a anulação das condenações, voltou a concorrer em 2022, venceu a eleição e iniciou seu terceiro mandato. Em 2026, tentará a reeleição.
























