Com a aplicação gradual da cláusula de barreira, instituída pela minirreforma eleitoral de 2017, o cenário partidário brasileiro vem passando por um processo de enxugamento. A regra estabelece desempenho mínimo nas eleições para que as legendas tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
Para atender à exigência a partir de 2026, os partidos precisarão eleger pelo menos 13 deputados federais ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados, distribuídos em ao menos um terço das unidades da federação.
Desde que a norma entrou em vigor, nas eleições de 2018, sete siglas deixaram de existir após fusões ou incorporações: PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB. O movimento reduziu o número de partidos com representação formal e alterou o equilíbrio de forças no Congresso Nacional.
Neste novo ciclo, legendas tradicionais e de menor porte intensificam articulações para evitar o mesmo destino. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) monitoram o cenário eleitoral, enquanto Partido Novo, Solidariedade, Partido da Renovação Democrática (PRD), Cidadania, Avante, Podemos e o recém-criado Partido Missão traçam estratégias distintas para ampliar suas bancadas.
Entre as alternativas estudadas estão federações, fusões e o fortalecimento de candidaturas competitivas à Câmara dos Deputados. O objetivo comum é garantir sobrevivência política e acesso aos recursos públicos indispensáveis para a manutenção das estruturas partidárias.
