Reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, e repercutida nesta segunda-feira pela TV Mirante, revelou novos detalhes sobre um amplo esquema de corrupção instalado na Prefeitura de Turilândia, no interior do Maranhão. As investigações resultaram em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que levou à prisão do prefeito Paulo Curió, da vice-prefeita, de todos os vereadores do município, além de empresários, do contador, do controlador-geral e da pregoeira da administração municipal.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão, o esquema envolvia fraudes sistemáticas em processos licitatórios e desvio de recursos públicos. Áudios divulgados na reportagem mostram a então pregoeira do município, Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira, cobrando vantagens pessoais do prefeito em troca da manipulação de licitações. Entre os pedidos, estariam presentes e até o medicamento Mounjaro.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, a pregoeira chega a afirmar que cerca de 95% das licitações realizadas no município eram fraudadas. Em um dos áudios, ela informa que um certame para obra de estrada vicinal seria declarado “fracassado”, conforme acordo prévio, evidenciando o direcionamento do processo licitatório.

As investigações também apontam a participação de um médico que atuava paralelamente como agiota. Segundo o Ministério Público, ele teria sido um dos responsáveis por financiar campanhas eleitorais do prefeito Paulo Curió, além de arcar com despesas pessoais e atuar na ocultação de patrimônio e capitais desviados.
Outro áudio divulgado pelo Fantástico revela um empresário cobrando o cumprimento de acordos firmados com o prefeito, em tom de ameaça. Na mensagem, o empresário afirma que, caso os compromissos não fossem honrados, revelaria detalhes do esquema de corrupção.
De acordo com o Gaeco, empresários beneficiados pelas fraudes recebiam contratos superfaturados e repassavam até 18% do valor das obras. Parte desse montante, cerca de 3%, era destinada ao então controlador-geral do município, Wandson Barros, apontado como operador financeiro do esquema e contador de empresas envolvidas. O restante dos recursos retornava ao prefeito, segundo as investigações.
Durante a operação, foram apreendidas grandes quantias de dinheiro em espécie e identificados bens de alto valor atribuídos ao casal Paulo Curió. Entre eles, um imóvel localizado em São Luís, avaliado em aproximadamente R$ 3,7 milhões, que foi alvo de busca e apreensão.
Para o Ministério Público, os áudios revelados reforçam a existência de uma organização criminosa estruturada, responsável por um prejuízo estimado em R$ 56 milhões aos cofres públicos de Turilândia.
Os investigados devem prestar depoimento ao longo desta semana, após o fim do recesso do Judiciário maranhense.
