Um levantamento exclusivo divulgado pelo portal G1 revela que o Maranhão registra 28 homens com mandados de prisão em aberto por crimes de feminicídio ou tentativa de feminicídio, figurando entre os estados com maior número de procurados nesse tipo de crime no Brasil. Os dados, extraídos do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP) do Conselho Nacional de Justiça, indicam que a maioria desses mandados é de prisão preventiva, aplicada quando o suspeito já foi identificado no curso do processo e deveria estar detido, mas ainda permanece em liberdade.
No cenário nacional, são 336 homens procurados pela Justiça por feminicídio ou tentativa de feminicídio, apesar de terem ordens de prisão expedidas, apontam os levantamentos, com destaque para São Paulo e Bahia, logo à frente do Maranhão. A situação reflete um gargalo estrutural no cumprimento de mandados de prisão, que, mesmo com autoria conhecida em muitos casos, não chega a ser efetivado em tempo hábil.

Especialistas ouvidos no âmbito da reportagem afirmam que essa dificuldade muitas vezes não está na investigação em si — que frequentemente identifica os responsáveis — mas no desafio de transformar ordens judiciais em prisões efetivas. A diferença entre identificar um suspeito e garantir sua detenção tem sido apontada como um dos entraves na responsabilização efetiva de autores de crimes de violência contra mulheres.
Os números surgem em um contexto de agravamento da violência de gênero no país. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da série histórica, com 1.530 casos, o que representa uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia — um quadro que reforça a importância de ações mais eficazes de cumprimento de mandados e proteção às vítimas