Maranhão bate recorde de informalidade

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Dados recentes do IBGE revelam um cenário alarmante para o Maranhão: o Estado continua no topo do ranking nacional de informalidade, com 57% da população ocupada trabalhando sem carteira assinada, sem direitos e sem qualquer proteção social. São 1,5 milhão de maranhenses sobrevivendo na informalidade entre 2,7 milhões de pessoas ocupadas — um retrato que expõe, mais uma vez, a incapacidade do governo estadual de implementar políticas robustas de geração de emprego e renda formal.

O Maranhão divide a lista dos seis Estados com mais informais que formais com Pará, Piauí, Amazonas, Bahia e Ceará. Todas as unidades do Norte e Nordeste superam a média nacional de informalidade, hoje em 37,8%. No Maranhão, porém, o problema é ainda mais profundo e persistente, sinalizando um ciclo de abandono e falta de planejamento econômico.

A informalidade inclui trabalhadores sem carteira assinada, empregadores e autônomos sem CNPJ, além de trabalhadores familiares auxiliares — todos sem acesso a direitos básicos como férias, Previdência Social e 13º salário. A predominância desse tipo de ocupação no Maranhão evidencia o fracasso de políticas estaduais que deveriam estimular a formalização, atrair investimentos produtivos, fortalecer o setor privado e qualificar a mão de obra local.

Outros Estados com mais da metade da força de trabalho na informalidade:

  • Pará – 56,5%

  • Piauí – 52,7%

  • Amazonas – 51,5%

  • Bahia – 51,5%

  • Ceará – 51,1%

Enquanto isso, São Paulo, Distrito Federal e Santa Catarina apresentam os menores índices do país, mostrando que é possível avançar — desde que haja estratégia, investimento contínuo e compromisso com o desenvolvimento econômico.

No total, o Brasil contabilizou 102,4 milhões de pessoas ocupadas no 3º trimestre de 2025, sendo 38,7 milhões informais. Norte e Nordeste concentram 41% de toda a informalidade do país, reflexo das desigualdades históricas agravadas pela falta de políticas regionais eficazes.

O analista do IBGE William Kratochwill afirma que a informalidade está relacionada a baixa escolaridade e baixos rendimentos — fatores que, no Maranhão, seguem como problemas crônicos sem soluções estruturais do governo. A ausência de programas sólidos de qualificação profissional, estímulo à indústria, apoio ao pequeno empreendedor e atração de empresas formais agrava o cenário.

Mesmo beneficiários de programas sociais podem estar na informalidade — dirigindo aplicativos, vendendo nas ruas ou prestando serviços avulsos — o que reforça que a assistência, sozinha, não substitui políticas de trabalho e renda.

O Brasil tem hoje 6,1 milhões de desempregados e 38,7 milhões de informais. Somados, representam 44,8 milhões de pessoas sem estabilidade financeira real. Apesar da queda na taxa nacional de informalidade, o Maranhão permanece estagnado — e isso se deve, em grande parte, à falta de ação efetiva do governo estadual.

As taxas são mais altas entre pessoas com baixa escolaridade, homens e indivíduos de cor parda, grupos majoritários no Maranhão e historicamente negligenciados por políticas públicas estruturantes.

Enquanto o país avança lentamente, o Maranhão continua preso ao trabalho precarizado. Sem reformas locais, sem incentivos à formalização e sem planejamento para o futuro, a informalidade segue sendo a regra — e não a exceção — para milhões de maranhenses.