A divisão do Fundo Eleitoral para 2026 colocou dois dos principais partidos do país no centro do planejamento das campanhas: o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL). Juntas, as duas legendas lideram o recebimento de recursos públicos e já reorganizam suas estratégias para a disputa presidencial e para a formação de bancadas no Congresso.
Com a definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o fundo total de R$ 4,9 bilhões será distribuído entre 30 partidos. Nesse cenário, o PL aparece como o maior beneficiado, com cerca de R$ 881 milhões, enquanto o PT recebe aproximadamente R$ 615 milhões. Os valores reforçam o peso das duas siglas no sistema político e devem influenciar diretamente o planejamento das campanhas de 2026.
PT prioriza Lula e reorganiza distribuição interna
No caso do PT, a estratégia financeira segue concentrada na candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. A direção partidária tem indicado que a maior parte dos recursos deve ser direcionada à campanha de reeleição, enquanto o restante será dividido entre disputas para o Congresso Nacional e governos estaduais.
A coordenação da campanha avalia que o histórico de 2022 serve como referência para o planejamento de 2026, quando a campanha presidencial teve gastos totais de centenas de milhões de reais, majoritariamente financiados por recursos públicos, principalmente do Fundo Eleitoral.
Dentro da sigla, ainda estão em debate os critérios de distribuição entre candidatos a deputado federal, senador e governadores, o que deve ser definido mais próximo do período eleitoral.
PL concentra recursos e amplia estrutura de campanha
No PL, o cenário é de expansão da estrutura eleitoral após o desempenho da última eleição presidencial. O partido, que liderou o volume de recursos do Fundo Eleitoral, trabalha com a expectativa de forte investimento em comunicação digital, campanhas regionais e fortalecimento de candidaturas ao Legislativo.
A legenda também deve concentrar parte significativa dos recursos em campanhas proporcionais, visando ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados, fator considerado estratégico para influência política nos próximos anos.
Assim como no PT, a distribuição interna ainda está em fase de organização, mas a prioridade é consolidar candidaturas competitivas em diferentes níveis da federação.
Campanhas de 2022 ainda orientam planejamento
Os números da eleição de 2022 continuam servindo como base para as projeções de gastos. Na disputa presidencial daquele ano, os principais custos estiveram concentrados em produção de conteúdo para televisão e rádio, além de impulsionamento digital.
Tanto PT quanto PL tiveram grande participação nessas despesas, especialmente em marketing político, produção audiovisual e estratégias de comunicação online. A tendência é que esses setores continuem consumindo parte significativa dos recursos em 2026.
Investimento digital e uso de tecnologia
Outro ponto em comum entre as duas siglas é a ampliação dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial. O TSE já definiu regras para o uso dessas ferramentas na campanha, e partidos como PT e PL devem ampliar a contratação de equipes especializadas em dados, segmentação de público e comunicação digital.
Especialistas avaliam que o custo não estará apenas nas ferramentas tecnológicas, mas principalmente na formação de equipes capazes de operar estratégias mais sofisticadas de comunicação política. (O Informante)
