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Mau cheiro volta a castigar a Lagoa da Jansen e revolta frequentadores 

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O forte cheiro que emana da Lagoa da Jansen voltou a tirar a paz de moradores e frequentadores em São Luís. Nos últimos dias, o problema tomou conta das redes sociais com uma enxurrada de denúncias sobre um cheiro insuportável — descrito como semelhante ao de ovo podre — que invade imóveis e afeta até quem apenas trafega pela Avenida dos Holandeses. Na ciclovia que margeia o reservatório, a cena de pedestres usando máscaras para conseguir praticar atividades físicas voltou a se repetir.

A poluição, no entanto, vai além do ar. Às margens da lagoa, o acúmulo de lixo e a presença de uma espuma densa evidenciam o avanço da degradação ambiental em um dos espaços de lazer e turismo mais emblemáticos da capital maranhense.

Segundo o geógrafo Dinilson Ferreira, a intensificação do odor durante este período do ano é resultado direto da estiagem combinada com o descarte ilegal de efluentes.

“Nesta época de estiagem, com ventos fortes e ausência de chuvas, a Lagoa da Jansen passa por um processo de putrefação dos materiais orgânicos acumulados no fundo. O agravante crucial é o lançamento irregular de esgoto, que acelera a formação dos gases responsáveis por esse odor”, explicou o especialista.

Exemplos de fora e falta de políticas públicas

O problema, que se arrasta há décadas sem uma solução definitiva, exige intervenções estruturais. Segundo Dinilson, o Brasil acumula casos bem-sucedidos de recuperação ambiental que poderiam servir de modelo para o Maranhão.

“Temos exemplos de lagoas em Brasília e no Amazonas onde o poder público investiu diretamente na revitalização e obteve sucesso. Temos condições de fazer o mesmo aqui. O que falta, na maior parte das vezes, é uma política pública séria para tratar esse problema crônico em São Luís”, enfatizou.

Para o geógrafo, a saída passa por uma força-tarefa que una a gestão pública, instituições de ensino superior, iniciativa privada e a sociedade civil organizada. “O diálogo e a responsabilidade compartilhada são caminhos fundamentais para enfrentarmos essa crise ambiental”, concluiu.