Em editorial publicado recentemente, o Correio Braziliense avalia que o país chega às eleições de 4 de outubro sob forte cenário de fragilidade institucional. O veículo sustenta que, embora a democracia não enfrente ameaças de golpe armado, há um processo de corrosão interna provocado por atritos no Judiciário, fisiologismo no Congresso e uso de recursos públicos pelo Executivo com fins eleitorais.
De acordo com o texto, o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta uma crise histórica de legitimidade e coesão interna, evidenciada pela falta de consenso para abrir investigação contra um de seus integrantes. Paralelamente, o Congresso é criticado por converter parcelas do Orçamento em instrumento de barganha política, sem o devido compromisso com a execução de políticas públicas.
O editorial também destaca o reajuste do Bolsa Família — de R$ 600 para R$ 691 —, anunciado a 17 dias do primeiro turno. Embora a correção seja legal e o programa seja reconhecido como vital para milhões de brasileiros, o jornal aponta que o calendário da medida evidencia sua finalidade eleitoral.
Por fim, a publicação ressalta que o pleito direto e o sistema de urnas eletrônicas representam o principal mecanismo de prestação de contas do país, cabendo ao eleitor impor limites às disfuncionalidades dos Três Poderes por meio do voto.
