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Flávio Dino cobra explicações de 21 partidos sobre controle e destinação de emendas parlamentares 

FLAVIO DINO

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que os 21 partidos com representação no Congresso Nacional prestem esclarecimentos sobre a participação de dirigentes partidários na destinação de emendas parlamentares. A decisão foi publicada nesta terça-feira (15) e integra as ações conduzidas pela Corte para ampliar a transparência na aplicação dos recursos públicos.

Na determinação, o magistrado solicita informações sobre a existência de cotas, reservas ou qualquer outro mecanismo que permita aos presidentes das legendas influenciar a distribuição de emendas. Caso tais instrumentos existam, os partidos deverão detalhar sua finalidade, abrangência, responsáveis pela autorização dos recursos e o embasamento jurídico que sustenta a prática.

O STF também quer saber quais documentos formalizam esses mecanismos, como normas internas, atas ou regulamentos partidários, além de esclarecer o procedimento utilizado para definir a destinação dos recursos.

A decisão foi motivada por declarações do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, durante entrevista concedida à GloboNews. Ao comentar a participação dos dirigentes partidários na distribuição de emendas, Valdemar confirmou que presidentes de partidos exercem influência nesse processo.

Ao justificar a medida, Flávio Dino destacou que as declarações merecem atenção por terem sido feitas por um dos principais dirigentes partidários do país. Segundo o ministro, a possibilidade de existência de emendas controladas ou repassadas a presidentes de partidos representa um fato novo que precisa ser esclarecido.

A determinação ocorre em meio às investigações conduzidas pelo Supremo sobre a destinação de emendas parlamentares. No último dia 10, Dino suspendeu a execução de recursos que teriam sido indicados de forma irregular por Valdemar Costa Neto, embora o dirigente negue qualquer irregularidade.

Em outra frente de investigação, o ministro determinou, no início deste mês, o bloqueio de R$ 6,1 milhões vinculados ao ex-deputado federal Eduardo Cunha, atualmente filiado ao Republicanos. A medida está relacionada a apurações sobre suposto direcionamento de emendas por pessoas sem mandato parlamentar.

As informações solicitadas aos partidos deverão subsidiar as investigações em andamento e contribuir para a análise do modelo de distribuição das emendas parlamentares no país. A iniciativa faz parte do conjunto de ações do STF voltadas ao fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência na gestão dos recursos públicos.