A Polícia Rodoviária Federal (PRF) cumpriu 302 mandados de prisão relacionados à violência contra mulheres em todo o país durante a segunda fase da Operação Alerta Lilás. A ação ocorreu entre 9 de fevereiro e 5 de março e foi intensificada em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8).
Entre os casos que resultaram em prisão, a maior parte foi motivada pelo não pagamento de pensão alimentícia, com 215 mandados cumpridos. Também foram registrados 37 casos de estupro — sendo 27 contra vítimas consideradas vulneráveis — além de 16 prisões por descumprimento de medidas protetivas.
Durante os 24 dias da operação, iniciada no período do Carnaval, a média foi de 12 prisões por dia. Os estados com maior número de mandados executados foram Rio Grande do Sul, com 26 casos, Goiás, com 22, e Minas Gerais, com 18. Em comparação, na edição realizada em 2025, a operação havia resultado no cumprimento de 83 mandados.
Criado pela PRF em 2025, o Alerta Lilás funciona como um sistema de aviso interno que integra as bases da corporação ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com a ativação do alerta, policiais rodoviários federais passam a receber notificações sobre pessoas com mandado de prisão em aberto por crimes ligados à violência contra a mulher.
Com isso, as abordagens podem ocorrer durante fiscalizações de rotina nas rodovias federais, em unidades operacionais da PRF ou em pontos estratégicos como postos de combustíveis, áreas de descanso e praças de pedágio.
Mesmo com o avanço da legislação e da rede de proteção às vítimas, os números de violência contra mulheres ainda preocupam no país. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) indicam que, em 2025, o Brasil registrou 1.559 feminicídios e mais de 83 mil casos de estupro, sendo 59 mil contra pessoas vulneráveis, principalmente crianças e adolescentes.
Em fevereiro, os chefes dos três Poderes assinaram o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que prevê o fortalecimento das redes de proteção, a ampliação de ações educativas, o cumprimento mais rápido de medidas protetivas e o aumento da responsabilização de agressores.
Para a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra, ações integradas entre os órgãos de segurança são fundamentais para reduzir os índices de violência.
“O Brasil aparece globalmente como um dos países mais arriscados para as mulheres. Precisamos mudar essa realidade e garantir que a violência seja combatida com firmeza”, afirmou.
O diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, destacou que a operação também tem caráter preventivo e busca impedir que agressores utilizem as rodovias como rota de fuga.
